​Entre sentidos, sons e sentimentos, primeira apresentação do Poesia em Voz Alta surpreende o público

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Fanal, saúvas, lusco-fusco. Essas são algumas das palavras que a plateia do primeiro espetáculo do projeto Poesia em Voz Alta desvendou durante a noite da última sexta-feira (26). O Auditório Cyro dos Anjos, da Associação Nacional de Escritores (ANE), recebeu cerca de 100 pessoas para a apresentação Poesia para Brasília. A atriz Julie Wetzel recitou poemas de Anderson Braga Horta, João Bosco Bezerra Bonfim - também mediador do espetáculo - e Alexandre Pilati. Enquanto isso, o músico Toninho Alves acompanhava, ora com a flauta, ora com o violão, o ritmo das palavras faladas.

Depois de cada apresentação em voz alta, João Bosco indagava a plateia sobre os significados das palavras menos usuais. De Céu de Brasília, de Anderson Braga Horta, o fogo imaginário que surge do Planalto na cidade recém-construída (fanal). As formigas cortadeiras (saúvas) discursando na toca, em Emana do. Em seu nome é., de Alexandre Pilati, alguns compararam ao Congresso Nacional. Já o crepúsculo em Tráfego Planejado, do mesmo poeta, foi representado pela expressão lusco-fusco. Esse é o primeiro passo para entender todas as camadas evocadas por um poema: compreender, sentir e imaginar.

Cada poema era lido de três a quatro vezes. A primeira, sem música. As demais, acompanhadas de melodia e de interpretação mais marcada nas palavras. Os versos curtos de Torre de TV, de João Bosco Bezerra Bonfim, foram os primeiros a serem apresentados, ajudando a ambientar os participantes à dinâmica do espetáculo. “O vento que passa/ É o único que fica”. O autor do poema e mediador, questionou o público, então, sobre os sentimentos e imagens que aquelas palavras, unidas à música, passavam a cada um. Entre um texto e outro, as mais diversas emoções e sensações foram evocadas: raiva, amor, esperança, indignação, tranquilidade.


Elogios

Para a professora de geografia Ana Paula Camilo, do Centro de Ensino Médio Julia Kubitschek, este é o tipo de projeto que precisa ser levado às escolas. “Eu pretendo trazer os meus alunos aqui em outra oportunidade”, afirmou, empolgada. E haverá várias chances. As próximas apresentações desse primeiro espetáculo, Poesia para Brasília, serão na segunda (29), na terça (30) e na quarta-feira (31); e em 2 de setembro, sempre às 15h. E ainda estão previstos outros dois espetáculos, com cinco apresentações cada.

A dinâmica do espetáculo surpreendeu a estudante Iasmyn Dassyni, do 3º ano do ensino médio do CEM Julia Kubitschek. “Superou as minhas expectativas”, contou. “Quero até voltar nos próximos.” Ela sentiu que os poemas apresentados, muitos deles adequados ao momento político e econômico pelo qual o país passa, ajudaram a ter esperança em um futuro melhor. “Nos traz esperança de que a situação que a gente está vivendo vai passar”, relatou.

Também estavam presentes alunos surdos do Centro de Ensino Médio 1 do Núcleo Bandeirante. Durante o espetáculo, houve tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e eles também fizeram perguntas e disseram o que sentiram e entenderam sobre os poemas apresentados.

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No fim, o poeta Anderson Braga Horta respondeu a questionamentos sobre os textos que escreveu e ainda leu outro poema de sua autoria, fechando o evento com a excelência que o presidente da ANE, Fabio de Sousa Coutinho, havia exaltado no pronunciamento de abertura. "A partir da obtenção pioneira de recursos públicos, a ANE devolve tais recursos à comunidade, sob a forma de uma prestação de serviço cultural de qualidade superior", afirmou. Definiu ainda a iniciativa como “um trabalho que, seguramente, passa a compor uma das páginas mais nobres da história da nossa querida casa de escritores”.

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